À beira de estradas e avenidas, cada vez mais ele faz parte da rotina da Capital.Seu trabalho é servir de guia a motoristas e ajudar na descarga.
MARCELO MORA
Genivaldo Barboza Carvalho, de 54 anos,( foto acima) um chapa com freguês fixo, aguarda serviço à beira da Rodovia Anhangüera. (Foto: Marcelo Mora/G1)
Quem chega pelas rodovias mais movimentadas ou passa por algumas das principais avenidas de São Paulo, como as marginais e a Bandeirantes, já pôde observar pequenas placas com os dizeres “CHAPA”, geralmente escritos a mão, com cores berrantes e letra irregular. Qualquer lugar serve: uma pedra, uma chapa de metal, um pedaço de madeira ou então de papelão mesmo, colocado em uma árvore. O objetivo é sempre o mesmo: chamar a atenção de caminhoneiros que chegam à Capital.
Conheça alguns chapas das rodovias de SP
Na luta pela sobrevivência, o chapa oferece, na beira das estradas e avenidas, os seus serviços aos motoristas que vêm do Interior ou de outros estados. Em síntese, é mais um bico para aqueles que estão fora do mercado, seja pela idade, por falta de qualificação profissional ou por outros motivos, como ser ex-detento. Os caminhoneiros pagam aos chapas pelos serviços de guia. Afinal, circular pelos bairros de São Paulo não é tarefa das mais fáceis. E percorrer o melhor itinerário significa economia de tempo e, claro, de dinheiro, evitando ficar parado em congestionamentos. Por isso, todo chapa que se preze conhece a Capital na palma da mão. Chapa serve também para ajudar a carregar e descarregar a carga. Muitos caminhoneiros ainda trabalham como autônomos ou particulares. E necessitam desse tipo de mão-de-obra na entrega da carga. Como geralmente não conhecem as pessoas em São Paulo, recorrem aos chapas.
Madrugar e confiança
Como toda profissão, a de chapa também tem os seus macetes. Com a concorrência aumentando a cada dia, chegar cedo, logo de manhãzinha, à beira da estrada é um deles. E a confiança é o outro; o mais importante, aliás. É com base na confiança que o chapa pode até mesmo formar uma “clientela”. “Consigo arrumar trabalho todo dia, porque tenho freguês fixo. Se você não trabalhar direito, o caminhoneiro não te pega mais. Tem caminhoneiro que me liga avisando que está vindo e já marca para eu esperar nesta ou naquela estrada”, conta Genivaldo Barboza Carvalho, de 54 anos, enquanto acenava para motoristas à beira da Rodovia Anhanguera, na tarde de sexta-feira (21). Genivaldo, aliás, tem o perfil típico do chapa. São homens acima dos 50 anos que não encontram mais colocação no mercado de trabalho. “Comecei de chapa há três anos, porque não arrumo mais serviço. Trabalhei 28 anos como conferente em empresa de cargas com carteira registrada e ainda não consegui completar o tempo para me aposentar”, lamentou.
Concorrência acirrada
Marcelo Mora/G1
Em menos de um quilômetro na Anhangüera, os chapas se enfileiram. A cada parada, o caminhoneiro pode constatar que os preços vão ficando mais baratos. A descarga de um caminhão, por exemplo, pode variar de R$ 30 a R$ 100; de uma carreta, de R$ 50 a R$ 200. Para circular pela Capital, fica mais em conta: entre R$ 20 a R$ 520. “Antigamente compensava (trabalhar de chapa). Agora, está ruim de serviço e tem muita concorrência. Por isso, não é todo dia que eu arrumo serviço. O que aparece, tem de pegar”, relata João Caetano de Souza, de 58 anos e há 15 no ‘ramo’. Um pouco adiante, preços ainda mais baixos e mais reclamações. “Consigo tirar R$ 100 por semana, uma mixaria”, diz Osvaldo Feitosa Dias, de 55 anos e chapa há 20, comodamente assentado em uma pedra à beira da estrada.
Blog do Chapa
Como em toda profissão, há os chapas confiáveis e aqueles que se aproveitam para passar por chapas e roubarem as cargas dos caminhoneiros. Desta forma, a desconfiança é inevitável, e quem paga são os chapas honestos. Aos poucos, no entanto, esses trabalhadores marginalizados começam a chamar a atenção de setores da sociedade, já que cada vez mais fazem, literalmente, parte da paisagem urbana. O artista plástico Eduardo Penteado Lunardelli, de 63 anos, por exemplo, criou o Blog do Chapas de Caminhoneiros. “A intenção é divulgar a idéia dos chapas e reunir fotos para fazer um livro chamado ‘Chapas do Brasil’. Com todas as fotos juntas, você terá um panorama fantástico, tanto geográfico quanto étnico, do Brasil”, explicou Eduardo.
João Caetano de Souza, de 58 anos é chapa á 15:" Esta ruim de serviço. O que aparece tem de pegar"Foto: MARCELO MORA G1




2 comentários:
Eduardo, que bela notícia. Deveria estar lá no topo do blog. Nada de modéstia, rapaz!
Abraço forte e sorte para o CHAPA!
Valter, obrigado. Mas o importante neste blog é o CHAPA!
Abçs
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